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sexta-feira, junho 21, 2019

Só o rock salva! [Resenha João Rock 2019]



Só o rock salva
-Resenha João Rock 2019-
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O evento.

O JoãoRock já é um mocinho, com 18 anos de vida e edição de 2019 chegou para destruir os pilares da nossa sanidade de maneira primordial e prestar um serviço à comunidade artística brasileira sendo o maior festival de música nacional realizado em nosso país. Cerca de 70 mil pessoas acompanharam em 3 palcos as atrações do evento, que conduziram os expectadores a um misto de emoção e racionalidade sem precedentes.

Os organizadores mostraram que ouvem os participantes do evento e corrigiu erros de edições passadas, o JoãoRock 2019 superou em muito as edições anteriores no que diz respeito a organização. A experiência começou muito antes do evento, com a chegada das pulseiras, cadastros e recargas on-line, o que evitou as filas, que além de chatas, faziam a galera presente perder shows. Os banheiros também melhoraram bastante. No site neste momento podemos contar com um serviço de achados e perdidos.

Além disso tudo, artisticamente o evento é perfeito, somados ao palco principal, tivemos o Palco Brasil e o Palco Fortalecendo a Cena, dispostos de maneira perfeita pelo recinto, a movimentação, vezes tumultuada, vezes tranquila entre eles, criou um balé de personagens estilizados de maneira única e muito peculiar, como deixar de observar o equilíbrio de estilos de todos os presentes, a necessidade do despojo e do destaque criaram um ambiente harmoniosamente dissonante.

As atrações

A programação do JoãoRock provoca os expectadores de maneira poderosa, em alguns momentos temos que fazer escolhas proporcionalmente dolorosas e revigorantes. Já diz a canção: "cada escolha, uma renúncia", por isso meu olhar concentra-se no vi, senti e vivi.

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O dia começou com muito sol e Plebe Rude, que está prestes a lançar um novo trabalho audacioso, a banda acelerou o ritmo do rock logo no início dos trabalhos no Palco Brasil, com muita personalidade, a banda já deixou claro que faria jus a origem brasilense e não ia deixar o cenário político em paz logo na abertura da apresentação. Não havia como ficar inerte ao ritmo, carisma e letras do grupo.


Djonga conduziu o Palco Fortalecendo a Cena a um outro patamar, com consciência crítica apurada sobre racismo, sociedade e um ritmo alucinante, que lembrava muito os rappers americanos, e um som muito bem feito. Este palco neste momento estava com um grande número de pessoas acompanhando a apresentação, mostrando a força que o Rap e o Hip Hop vem ganhando no Brasil, mesmo o Palco João Rock contando com maior número de plateia, foi esse ritmo que encerrou o evento na madrugada do domingo.

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Já no palco João Rock acompanhamos a apresentação de Zeca Baleiro, ícone da MPB, uma personalidade singular, o artista nos conduziu durante o pôr do sol e o surgimento de uma lua cheia perfeita sobre nós, seus sucessos e releituras de sucessos da nossa música nos embalaram para a noite que seguiria.

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Momento da primeira decisão difícil, ao deixar o palco João Rock, virando as costas para o imenso astro Alceu Valença, para acompanhar Dado Vila-Lobos e Marcelo Bonfá tocando Legião Urbana em comemoração aos 30 anos do lançamento do álbum “Dois”. O cantor e ator André Frastechi assumiu com maestria o vocal do grupo, sua presença de palco e voz transformaram a noite de sábado em algo memorável e emocionante, é importante ressaltarmos algo aqui: estamos falando de Legião Urbana, senão o maior, um dos maiores patrimônios do rock e da música nacional, não houve como conter a emoção e as lágrimas, Dado e até mesmo Marcelo fazem suas participações frente ao público, essenciais, eram o sangue que corriam em nossas veias naquele momento. Que show!

André finalizou com a sentença: Só o Rock Salva!

A volta ao palco João Rock foi cheio de expectativas, aquele chão não era mais um espaço qualquer, era um território ocupado por pessoas que buscavam não apenas um som bacana com um ritmo envolvente, mas sim, transcender a um novo patamar de compreensão da realidade por meio da arte, era visível no semblante de todos uma busca.

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Em minutos Paralamas do Sucesso estavam no palco, não há como olhar para Hebert Vianna e não se motivar, nem desejar acolher aquele homem, a voz que foge do padrão, e a musicalidade (do power trio e da banda) são estonteantes. A habilidade do Barone é proporcional ao talento e timidez do Bi, sem contar o fato que nos faz sentir mais humanos o sorriso do baixista, toda vez que vem a frente do palco. Dos artistas mais incríveis e humildes, Hebert comentava que talvez nem todos conhecessem a canção que seguiria e mandava um super sucesso da banda.



CPM 22 simplesmente quebrou tudo. Que som! Que ritmo! Não houve como não se envolver com letras e ritmos tão marcantes do grupo. Incansáveis levaram a galera a consumir o som produzido no palco, tornando-nos um com a magia invisível do Rock. Fernando Badauí, vocalista do CPM 22, promoveu dois pontos de reflexão muito importantes: a canção que fez para o pai, e que dá nome a turnê da banda, emocionado, Badauí contagiou a todos os presentes; um comentário importante feito por ele sobre o evento “O João Rock não convida quem está na moda e sim quem tem história dentro da música”. Sem mais, amigos, que show...

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A rainha toma seu trono no Rock nacional: Pitty. Não há como não desejar tatuá-la em nossas almas, uma mulher que transcendeu sua presença na música e nos palcos, Pitty eleva o movimento musical a um patamar totalmente diferenciado, baiana e rockeira veio quebrar todos os paradigmas que conduzem o ritmo a um ostracismo musical e social. Com a turnê do novo álbum Matrix, a cantora e compositora revela que seu talento é infinito assim como o próprio conceito de música. Pitty envolve todos os sentidos do público, a maneira como ela se mexe no palco nos faz imaginar que o paraíso só pode ser algo parecido com sua presença. Uma mulher no sentido nato da palavra, seu protesto a favor das mulheres e da comunidade africana também são presenças importantes em sua apresentação, as letras com um cunho filosófico e empoderador conduz a reflexões inéditas para a maioria. BaianaSystem, Rael, Lazzo Matumbi, Larissa Luz e Pitty no palco, que momento da música brasileira. No mais, a experiência de poder olhar nos olhos dessa serpente de 7 vidas nos fez evoluir.

“O chicote em minhas mãos
O chicote em minhas costas
Rasgando rios, o vergalhão
Via-crucis autoimposta”




Marcelo D2 não perdoa. A todo momento pedia para que se acendesse as luzes e encarava a galera num misto de provocação e admiração pelo público ali presente, os ideias de resistência iniciados na apresentação anterior, ganharam corpo e revelações na sua apresentação. O alimento recém comprado esfriou em minhas mãos, não havia como desviar os olhos da apresentação, a batida perfeita mistura um swing e protesto de maneira que faz questionarmos tudo ao nosso redor e dentro de nós também, é o tipo de som que incomoda acomodados.

Enquanto Digão pedia sua namorada em casamento no palco Brasil, momento singular do Rock nacional, vamos fechar a noite e abrir a vida.

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Emicida e Rael iniciaram a última apresentação do palco João Rock, som pesado demais, a população brasileira representada no palco, uma aula sobre nossa realidade, ali escancarada no fato de que o Hip Hop é foda. A apresentação ainda contou com a presença de Pitty. O ponto alto da noite, que parecia não poder mais se elevar, foi a entrada de Mano Brown ao palco, o Pai do RAP brasileiro não cansa de nos revelar a verdade sobre nossa nação, não há como não respeitar e admirar sua presença. Djonga e Rincon Sapiência juntaram-se a cena para conduzir o fim de 12 horas de música, os conceitos de resistência cultural no palco, desde a apresentação da Pitty até esse momento, fizeram o sistema tremer.




No mais...

No mais, há alguns pontos que devem ser ressaltados, o amor e a política são pilares do rock e música consciente no nosso país, e fomos isso que presenciamos no João Rock, muito amor e parceria; não houve uma única apresentação onde o Presidente do país não foi convidado a tomar no c*, retrato de um política que se mantém estagnada em velhos pilares e o estado de exceção que se estabeleceu em nosso país.

Ao final o desejo era de permanecer ali, levar um pouco daquela terra, como se fosse um lugar sagrado, mas não, não é esse o intento, mas sim o do levante, todos os artistas presentes em todos os palcos nos convidaram a amar, a resistir e a ter consciência.

Bora lá então...



segue lá
Insta @umcorvo
Face @ocorvoeocarcara

terça-feira, outubro 31, 2017

Quando a Morte nos Cerca [Joelma]


“Querida, pegue meu caderno... está naquela gaveta...”

Eu sei que isso vai lhe parecer loucura, apenas leia.

A voz da vovó me acordou, não de sobressalto, mas com estranhamento, demorei alguns minutos, primeiro na tentativa de fazê-la voltar a dormir, depois para compreender o que dizia, não fazia ideia de que caderno de anotações era esse ao qual ela se referia. Você sabe muito bem como ela estava nos últimos dias, na verdade ela piorou muito depois que a viu pela última vez, mas isso foi apenas o começo do fim.

Ela tinha escondido por anos uma espécie de diário, tinha a capa de couro, na verdade era isso, uma capa de couro fino que guardava jornais, papeis com anotações, números de telefone e endereços, embalagens de doces, ingressos de cinema, uma infinidade de fotos, e a minha história, que ela deixou como gran finale da história dela.

“Hoje é minha última noite com você querida, obrigado minha pequena por permanecer ao meu lado, mas eu já estou mais do lado de lá do vale do que deste... preciso lhe contar sobre seus pais...”

Eu nunca havia lhe pedido para contar sobre eles, mas sabia que esse dia chegaria, talvez esperasse, eu me lembro de voltarmos da escola na adolescência e enquanto compartilhávamos nossos dias, nossos amores de juventude, eu me pegava pensando: será que hoje, ao sentarmos à mesa ela olhará em meus olhos e me dirá como meus pais se conheceram, como namoraram, o dia do casamento... mas esse dia nunca chegou.

“Eu amei tanto seu vovô, ainda o amo, hoje ele sentou-se à cama comigo e disse que voltaria mais tarde buscar-me... a maldade do mundo nos cerca, a nossa volta existe uma batalha invisível... um homem tirou a vida do seu avô, meu amor.”

Isso me abalou! No caderno de couro havia um endereço, que não existe mais, estava escrito pela letra do vovô, ele era bombeiro e atendeu um chamado, mas um chamado da polícia, anotou às pressas o endereço e partiu com seus companheiros para a retirada de corpos em um poço.


A foto do poço estava ali, em minha mãos, a morte no corpo de três mulheres sugou a vida dele. Enquanto eles faziam a remoção dos corpos um tiro seco foi ouvido no interior da residência. Os policiais ainda viram o sorriso no rosto do homem com o peito aberto pelo disparo, sorriso que transformou-se no mais aterrorizante grito de horror e morte.

Este homem havia matado a própria mãe e duas irmãs, ele as envenenou com sonífero e disparou contra elas, não puderam se defender. Não era a hora delas, a mais jovem segurou com as mãos de sua alma as mãos salvadoras da alma do vovô, que dias depois foi levado.

Meu pai era um rapaz na época. Nunca soube disto, vovó não conseguiu encontrar o momento certo para lhe contar, como fez comigo, pois a vida do papai e da mamãe também foram ceifadas na lâmina afiada da morte antes da hora.
Mamãe tinha um bom emprego no banco quando conheceu seu amor, ele era segurança bancário, dizem que foi amor à primeira vista, eles se apaixonaram no primeiro dia de trabalho dele naquela agência. Quando ela foi promovida e transferida da agência para os escritórios do banco, ele conseguiu a função de ascensorista no mesmo prédio que ela.

Eu havia completado 03 anos e você era um bebê.

Papai ouviu gritos ecoando pelo prédio, e já ouvia passou apressados pelas escadas, na verdade permaneceu estático e em silêncio por alguns minutos na tentativa de compreender o que estava ocorrendo. Logo isso foi quebrado. Várias pessoas surgiram no fim das escadas gritando que o prédio estava em chamas. Correu ao telefone. Chamou os bombeiros. Foi salvar seu amor.

O elevador estava sendo chamado em vários andares, e o espirito de bombeiro do vovô tomou conta dele quando percebeu que as pessoas sozinhas não conseguiriam se salvar. O primeiro andar em que o elevador parou estava tomado de fumaça, uma fumaça grossa e escura, ele apenas ouvia gritos, algumas pessoas conseguiram entrar no elevador. Saiu no corredor e arrastou mais algumas para dentro e desceu.

Subiu novamente, ao abrir as portas de aço viu passar pelo corredor um homem em chamas, e na sua frente um corpo derretia no piso de mármore. Não poderia ficar ali. Seu coração aos pulos o fez apertar o andar de sua mulher, mas o elevador parou antes. Outras pessoas foram socorridas.

Subiu e desceu incontáveis vezes, até conseguir chegar ao andar onde ela estava. Quando as portas se abriram percebeu que apenas uma fresta da entrada estava no andar do prédio, um espaço pelo qual ele não poderia passar, sentiu as solas de borracha da sua bota derretendo dentro do elevador. Ela estava viva, ele sabia disso e começou a gritar por seu nome, no meio das chamas ela surgiu e segurou suas mãos até o fim.

“Ela queria ser atriz, andava com seu pai em um carro alugado para festas, era um carro conversível, eles encenavam trechos de filmes que assistiam no cinema, e tinham como espectadores as estrelas... aquilo era uma bobagem, mas uma bobagem tão linda... entende? Nunca houve dor para eles...”

Ela conseguiu, realizou seu sonho de ser atriz, fez uma participação num filme, apenas um reflexo, mas eu a vi, todos viram. Ela estava ali com seu sorriso e beleza, roubando a cena:



quarta-feira, maio 04, 2016

55 anos de Hebert Viana


Hoje, 4 de maio de 2016 um dos maiores e mais respeitados músicos do nosso país e da América Latina completa 55 anos de vida: H e b e r t   V i a n a.


Líder de uma das mais importantes e influentes bandas de rock brasileiro, Hebert tem em sua bagagem musical e artística grandes sucessos que embalaram, mobilizaram e motivaram muitos brasileiros, e latinos, na busca de um grande amor e também na luta pela igualdade social e sistema politico justo.

Os Paralamas do Sucesso mantém sua formação original de 1982 e forma responsáveis pela musicalização dos versos de canções como Meu erro, Lanterna dos Afogados, Alagados, Brasília, sem contar que são os responsáveis pelo alavancamento da banda Legião Urbana, que liderada por Renato Russo é ainda hoje referência de produção musical de qualidade no Brasil e no mundo.


Averso a mídia, com o passar do tempo, diminui muito a participação em programas de TV e entrevista à grande mídia, mesmo assim por meio de entrevistas mais antigas podemos perceber o olhar atento e universal de Viana sobre a realidade do nosso país, que chega a ser, como suas composições atemporais:


BRASILEIRINHO - Como é que você analisa esse momento político do Brasil, cheio de denúncias de corrupção? 
HERBERT - No meu ponto de vista - quer dizer, quem sou eu, a gente passa pequenas mensagens através das coisas que a gente escreveu, agora... Do meu ponto de vista particular, só uma reforma espiritual grande, que extraísse o egoísmo das pessoas, que fizesse todo mundo raciocinar de uma maneira diferente, ia mudar. É claro que um pouco a política ajuda, mas acho que a solução pra isso é uma solução mais profunda. O Brasil foi colonizado de uma maneira em que o país colonizador era muito forte, tomava todas as decisões. Então a gente se acostumou a não tomar decisão e esperar pelos outros, (...) No Brasil, a gente espera que alguém faça pro todo melhorar. E nunca vai mudar.

Existe uma mácula na história de Hebert Viana, que está marcada em seu corpo, alma e coração: o acidente sofrido com um ultraleve que vitimou sua esposa Lucy, após 14 anos do acidente que deixou o canto paraplégico, ainda existem dúvidas sobre a real causa da queda do avião, o processo relata que foram feitas manobras semiacrobáticas momentos antes do acidente, mas que isto não teria relação com a queda, Hebert ganhou o processo contra a fabricante alemã, pois outra aeronaves do mesmo tipo sofreram quedas causadas pelo mesmo motivo. "Eu tenho que, na verdade, cicatrizar um ferimento físico e emocional muito profundo. De ter tido um dano que me impede o funcionamento da metade inferior do meu corpo e a perda do meu grande amor, mãe dos meus três filhotes, em um acidente de aviação"

O que nos resta é admirar a sua obra tão significativa na vida de nosso povo, eu mesmo tive a oportunidade de estar numa apresentação da banda e com certeza foi um dos momentos mais importantes da minha vida, cheguei 12 horas do início do show e cada minuto está gravado em minha memória com muito amor e valor.


Curiosidades sobre os Paralamas do Sucesso


fontes: 

http://www.brasileirinho.mus.br/entrevistas/herbertvianna.html

http://www.deficienteciente.com.br/e-importante-falar-sobre-deficientes-diz-herbert-vianna.html

http://g1.globo.com/bahia/festival-de-verao/2014/noticia/2014/01/13-anos-apos-acidente-hebert-vianna-diz-que-dor-ainda-nao-cicatrizou.html

https://turismoadaptado.wordpress.com/2011/11/15/herbert-viana-grande-cantor-de-sucesso-antes-e-depois-de-adquirir-a-deficiencia/

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/hvianna_biografia.shtml

http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2011/04/08/herbert-vianna-vai-receber-r400-mil-de-indenizacao-por-queda-de-ultraleve.htm


quinta-feira, março 03, 2016

A mulher do ano: Luana Tolentino.

********** ATUALIZAÇÃO NECESSÁRIA E JUSTA *******


A professora Luana Tolentino foi honrada com uma Medalha da Inconfidência Mineira, no último dia 21, a mais alta honraria que um cidadão do Estado de Minas Gerais pode receber de seu governo.

Nas palavras de Luana "Penso no quanto fiquei emocionada quando o governador Fernando Pimentel colocou a medalha no meu pescoço e se referiu a mim de um jeito muito carinhoso: "Ah, Luana! Você! Você! Essa é a medalha mais merecida dessa cerimônia...".

Saiba mais sobre a premiação e sua repercussão: professora-negra-recebe-medalha-em-minas-e-diz-sou-prova-de-um-novo-brasil

Luana, nossa bandeira.
Luana e seus pais na cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência

Luana e o ex-presidente do Uruguai Mojica.

********** Fim da atualização, segue o post original **********





Desde Safo, poetisa que nasceu por volta 570 a. C., até Malala Yousafzai, passando por Joana d’Arc, Jane Austen, Harriet Beecher Stowe, Rainha Vitória, Florence Nightingale, Emily Murphy, Simone de Beauvoir, Anne Frank (nossa queridinha), Madre Tereza de Calcutá; temos ainda as brasileiras Maria da Penha, Ellen Gracie, Rachel de Queiróz, Zilda Arns, Chiquinha Gonzaga, Maria Amélia de Queiroz, Anita Garibaldi, Zuzu Angel, a humanidade constrói uma luta de igualdade para as mulheres, homens, negros, e muitos outros que a sociedade insiste em deixar a margem.


Porém,
neste dia das mulheres que se aproxima vamos enaltecer a luta de uma brasileira especial: Luana Tolentino, mestranda, professora de história em Belo Horizonte, que vem revolucionando aspectos pedagógicos e na emancipação do espaço merecido da mulher, principalmente a brasileira.

 

A professora Luana nos revela uma forma totalmente inovadora para educação escolar, desvelando sempre a necessidade da igualdade e da relação horizontal entre professor e aluno, técnicas e atividades que vem mostrando resultados maravilhosos em sala de aula e na vida dos pequenos. Conheça uma das mais eficazes e belas práticas de ensino: O que você gostaria que sua professora soubesse? [link]

 

A mulher Luana vem fornecendo ferramentas e armas na construção e luta pela igualdade de direitos para as mulheres e fornecendo voz aos que não possuem dentro da sociedade.


Recentemente participou da pesquisa e elaboração de um livro que trata sobre a história das mulheres do nosso país: "Imprensa Feminina e Feminista no Brasil - Século XIX".

 

Há algumas semanas protagonizou um dos maiores VRÁÁÁÁ da história recente no ativismo em prol de uma sociedade mais justa e igual: UM SONORO “NÃO” AO PROGRAMA CALDEIRÃO DO HUCK, ( Saiba tudo sobre a negativa de Luana Tolentino ao programa de Luciano Huck [LINK]) cujo apresentador “que durante a Copa usou o programa para oferecer brasileiras aos gringos, como se fôssemos mercadoria." fato este conhecido de todos, aqui, nas palavras da professora Luana.

 

Luana é hoje a cara, a bandeira e a cor da luta pela igualdade desse povo gigante, que alimenta sua fome na inteligência, sabedoria e garra da professora.

 

Sou fã da sua humildade Luana, obrigado.




                                                             SAIBA MAIS:                                                               






terça-feira, janeiro 19, 2016

Edgar Allan Poe [niver do terror]


A Narrativa do personagem Arthur Gordon Pym, contava a história de um navio à deriva cuja tripulação faminta tirava no palitinho quem seria comido pelos outros. A vida imitou a arte 46 anos depois, quando a tripulação do Mignonette passou exatamente por isso. A grande coincidência? Os azarados que viraram refeição. Ambos eram camareiros e chamados Richard Parker

O autor da narrativa? 

Edgar Allan Poe que se estivesse vivo faria 207 anos hoje.



Este blog é executado sobre as sombras e olhares de duas aves símbolo: o corvo e o carcará, e este corvo não está aqui por acaso. Quando adolescente ganhei um livro de contos de um autor que não conhecia, mas que passou a ser fundamental na minha formação profissional, intelectual e até pessoal.

Edgar Allan Poe foi o criador do gênero “romance policial”, apesar de suas histórias de crimes serem conhecidas na França desde o séc. XVIII, através de publicações de biografias de bandidos famosos. Em contos como: “Os Crimes da Rua Morgue”, “O Mistério de Marie Rogêt”, “A Carta Roubada”, que são necessariamente contos policiais, Edgar Allan Poe deu uma grande contribuição à literatura policial, muito antes de Conan Doyle e Agatha Christie. Nestes contos, Poe descreve as investigações de Auguste Dupin em vários casos, mostrando uma engenhosidade perfeita.

Além do gênero investigativo, criado por Allan Poe, ainda nos restam obras de terror psicológico, contudo, acima das questões psicológicas dos personagens e de todo o clima de suspense alimentado pelo autor, é de suma importância salientarmos o fator da patologia. O autor, por muitas vezes, apresenta seus personagens não pelas suas características físicas, mas sim pelas suas patologias, como ocorre no conto “O Coração Denunciador”. A narração, com foco na análise patológica dos personagens, acaba por tornar-se presente na literatura naturalista, isto na metade do século XIX, todavia, Edgar Allan Poe, também neste caso, mostra-se um homem além de seu tempo, pois, já utiliza esse recurso muito tempo antes da existência dessa escola literária.

Os contos de Poe sempre são cheios de canibalismo, pestes, cataclismos, incinerações, estranhos males físicos e pacientes de manicômios, além da exploração, de forma crua e objetiva, dos mais escuros vales da psique humana. Escritor perturbado e perturbador, Poe é famoso pelas histórias de terror e policiais. Poe é aquele que, de acordo com Lovecraft, “resolveu ser intérprete daqueles poderosos sentimentos e frequentes ocorrências que acompanham a dor e não o prazer, a decadência e não o progresso, o terror e não a tranquilidade.” (Lovecraft, 2007, p. 62).

É interessante observar, ainda, que as mulheres de Poe são sempre uma alavanca para  a loucura inevitável de seus protagonistas homens, tanto por suas inteligências agudas e voltadas sempre para a metafísica e o ocultismo, a ponto de superarem leis da física, como por suas belezas, às vezes estranhas e fora dos padrões, mas, ainda assim, incandescentes.

Allan Poe não foi apenas escritor de contos de terror ou poemas obscuros, por meio de obras como "Filosofia da composição", "O principio poético" e "Eureka", onde Poe mergulha na filosofia, matemática e até hoje causa discórdia e debates sobre os olhares que se detêm nesta obra buscando um olhar universal sobre o conhecimento: 

"Por que não existiríamos? Esta é, até chegar a idade adulta, a pergunta mais imporssível de responder. A existência, a existência de cada um, a existência desde todos os tempos até toda a eternidade, nos parece, até a idade adulta, uma condição normal. (...) Mas logo vem o período em que uma razão convencional e mundana nos desperta da verdade de nosso sonho. A duvida, a surpresa, o inconpreensível chegam ao nosso tempo. Dizem: 'Vives e houve um tempo em que não vivias'"

Quer deliciar-se na obra obscura deste autor? Então não deixe de clicar neste links:



No fim de 2015 tive uma bela surpresa là Poe, na minha pacata cidade do interior de São Paulo, surgiu um novo ponto de encontro, um barzinho com estilo pub intitulado Edgar Allan Pub, onde podemos apreciar o melhor do rock roll, jazz, alternativo, samba e muita música de qualidade, além dos drinks inspirados em personagens e escritos de Allan Poe. Quando você passar por aqui, vale a pena conferir: